Fellow Learners de Eduardo Chaves: 50 Anos Aprendendo Juntos…

A aprendizagem, no caso, foi

  • tanto nas Salas de Aula Convencionais do Ensino Superior – vou chamá-las de SACES (a partir de 1970, cinquenta anos atrás, quando eu passei a não mais ser apenas aluno);
  • como nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem Personalizada e Colaborativa – vou chama-los de AVAPEC (a partir de 1995, vinte e cinco anos atrás).

Vou procurar esboçar essa história de forma sucinta (embora o meu “sucinto” nem sempre seja tão sucinto quanto os outros esperam…).

Como aluno, entrei na escola, no Primeiro Ano do Grupo Escolar, atrasadíssimo (já com quase nove anos) em Março de 1952. Como não-aluno (Assistente de Ensino, Instrutor, Preletor, Professor, Mestre, Ensinante, etc.), comecei em 1970, no segundo semestre.

Em Maio de 1970 concluí o Mestrado em Teologia do Pittsburgh Theological Seminary (PTS). Os 50 Anos desse evento devem ser comememorados  Abril do ano que vem, 2020, nos dias 23-24, em Pittsburgh, PA, nos chamados Alumnae/i Days. Espero poder estar lá.

Em Agosto de 1970, três meses depois, ingressei no Doutorado em Filosofia da University of Pittsburgh (Pitt) e comecei a trabalhar como Assistente de Ensino (“Teaching Assistant“) no PTS. Assim, no mês seguinte, Setembro de 1970, mês em que eu completei 27 anos de vida, começou a minha carreira como “Fellow Learner“, ocupando, numa instituição educacional, pela primeira vez, a posição de não-aluno. (Essa é uma forma meio canhestra, reconheço, de me referir às funções de Assistente de Ensino, Instrutor, Preletor, Professor, Mestre, Ensinante, etc. mas espero que a razão se esclareça na sequência e a destreza retorne).

Esse meu ingresso na carreira de Fellow Learner (expressão que pode ser traduzida como “Companheiro Aprendente”, ou “Co-Aprendente”) se tornou possível através de três generosas ações do PTS (além da primeira ação generosa a que farei menção adiante):

a. A concessão a mim, pela diretoria acadêmica do PTS, de uma bolsa de estudos, por ter sido o aluno com melhor desempenho em todas as principais áreas do Programa de Mestrado em Teologia (ou Divindade, como eles chamam): Teologia Histórica, Teologia Bíblica / Exegética e Teologica Sistemática.

b. A concessão a mim, no caso pelo meu professor de Teologia Sistemática no Seminário, George H. Kehm, de uma “Bolsa de Ensino” (“Teaching Scholarship“), mediante a qual eu recebi mais uma ajuda financeira mensal, agora não para estudar, mas para apoia-lo em suas aulas, enquanto eu fazia o Doutorado.

c. A concessão a mim, pela diretoria administrativa do PTS, do direito de continuar morando, gratuitamente, em um dos apartamentos no campus do Seminário (6001 St Marie St, #34), em troca da prestação de três horas noturnas (19-22h) de trabalho na Clifford E Barbour Library do Seminary – um excelente negócio para mim, em mais de um sentido: eu continuei onde morava e passei a viver parte da minha vida dentro da Biblioteca…

Disse, atrás, que havia mais uma ação generosa do PTS, essa a maior, porque primeira e fundante das demais. Em 1967, quando eu fui expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas (SPS, para Seminário Presbiteriano do Sul), onde estudava, com o patrocínio eclesiástico e financeiro da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), eu deixei de ter como continuar a estudar. Arrumei trabalho imediatamente no escritório da fábrica Bosch em Campinas (Setor de Análise de Custos). Nesse quadro, considerei quase um milagre o fato de receber, inesperadamente, uma carta do Rev. Gordon E. Jackson, Deão Acadêmico do PTS, que eu ficara conhecendo no ano anterior em Campinas, me oferecendo uma bolsa de estudos completa, durante três anos, para que eu fizesse o Mestrado lá — mesmo sem ter concluído o Bacharelado…

Assim, em Setembro de 1970, comecei minha carreira como Teaching Assistant do Prof. Kehm. Considero essa data o início de minha carreira de professor universitário — função que eu nunca considerei como a de um “dadeiro de aulas“, mas, sim, como a de um instigador e provocador da aprendizagem de circundantes e interlocutores — através da conversa, do diálogo, da discussão, do debate. Isso quase sempre se deu de uma de duas maneiras:

  • algumas vezes questionando e problematizando certezas e dogmatismos, ao mostrar que a verdade raras vezes é autoevidente, e que uma dose razoável de dúvida e ceticismo é sempre benéfica;
  • outras vezes abrindo caminho para a aprendizagem, e tornando-a possível, ao mostrar que a dúvida generalizada e o ceticismo radical também podem se tornar certezas dogmáticas e que a verdade, embora raramente autoevidente, existe e pode ser encontrada através da crítica racional (mesmo que sua busca seja longa e difícil).

Gradualmente concluí, nesse percurso, que SE nada é verdade (a verdade não existe), como afirma o ceticismo radical, ou, então, SE tudo é verdade a partir de uma certa perspectiva (a verdade apenas um ponto de vista, ou a vista a partir de um ponto), como afirma o relativismo radical, ENTÃO a filosofia não se justifica e a educação não tem nenhuma razão de ser, exceto como doutrinação.

Fará cinquenta anos, agora em 2020, que tudo isso começou, e minha interação com meus circundantes e interlocutores sempre se revelou, para mim, uma fonte inesgotável de aprendizagem e crescimento pessoal.

Em preparação para essa ocasião criei uma página no Facebook e este blog, que eu  dedico a todos aqueles, tendo estado comigo em espaços de aprendizagem, formais e presencais (SACES – vide atrás) ou não-formais e virtuais (AVAPEC – também vide atrás),  possam querer se inscrever na página e inserir o blog em sua lista de favoritos, assim mantendo viva a memória dos bons tempos.

Para terminar, os cinquenta anos se dividem em duas metades: 1970-1995 e 1995-2020.

Na primeira, prevaleceram as SACES, como parte da carreira (PTS, Cal State Hayward / East Bay, Pomona, e UNICAMP) e, como visitante ou temporário (Bowling Green State University – BGSU, PUC-SP, PUC-CAMP, IASP / UNASP-HT, UNISAL-Americana, FATIPI-São Paulo).

Na segunda, em 1995-1997, a Lista de Discussão INFED-L, no Vax da UNICAMP, depois, em 1998-2001, a Comunidade Virtual EDUTEC.NET, no Yahoo! Groups, depois, a partir de 2001, os Grupos de Discussão Escola2000, QuatroPilares, LivreMente, a LaissezFaire, as EACs (Experiências de Aprendizagem Colaborativa) no Moodle do Programa Escola2000 do Instituto Ayrton Senna e da Microsoft, e, depois, as comunidades do Orkut e os blogs, em especial com o Blog Liberal Space (que foi o primeiro, a partir de 2004). Finalmente, a partir de 2008, a loucura que é o FaceBook, em suas muitas faces: Messenger, WhatsApp, Instagram, e só Deus sabe mais o quê).

Em São Paulo, 2 de Novembro de 2019, revisto no dia seguinte.

2 thoughts on “Fellow Learners de Eduardo Chaves: 50 Anos Aprendendo Juntos…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s